Primeira etapa da reforma revitaliza a pista e destrava obra aguardada há mais de uma década no DF
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| Geovana Albuquerque/Agência Brasília |
Após mais de uma década de abandono, o Autódromo Internacional de Brasília está pronto para reabrir completamente modernizado. Fechado desde 2014 e com a estrutura deteriorada, o espaço passou por uma ampla reforma conduzida pelo GDF, que superou entraves técnicos e burocráticos para devolver à população uma das pistas mais emblemáticas do país.
O autódromo, inaugurado em 1974 e que nunca havia recebido uma intervenção profunda, mantinha o asfalto original e já não atendia aos padrões de segurança do automobilismo moderno. Essa realidade começou a mudar em 2021, quando os primeiros trabalhos de recuperação foram iniciados. Agora, o complexo será reinaugurado com a realização da penúltima etapa da Stock Car, no dia 30.
Recuperar a estrutura — uma das maiores pistas do Brasil — foi um desafio assumido pelo GDF. A obra precisou ser dividida em três fases. A primeira, concluída agora, concentrou-se na revitalização completa da pista, garantindo condições para a retomada dos grandes eventos.
O governador Ibaneis Rocha destacou as dificuldades enfrentadas durante o processo: “Tentamos iniciar essa obra em 2022. Enfrentamos muitos problemas com o asfalto e a licitação ficou parada no Tribunal de Contas por um período. Conseguimos ultrapassar esses entraves e a empresa deu início aos serviços”, afirmou. “São quase 12 anos sem funcionamento e agora devolvemos esse espaço à população do Distrito Federal.”
A recuperação começou com uma intervenção no asfalto realizada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), responsável pela construção e modernização do autódromo. Durante o processo, parte do pavimento original foi preservada e encaminhada ao Museu Histórico, Artístico e Científico (MuDER).
O presidente do DER, Fauzi Nacfur Junior, destacou que o projeto teve de ser refeito considerando a evolução dos veículos, que hoje ultrapassam 300 km/h, o que exigiu alterações no traçado e atualização dos padrões de segurança.
Em 2022, a gestão do autódromo foi transferida da Terracap para o BRB, por meio de concessão de 30 anos. A mudança permitiu o avanço das obras, que foram retomadas em fevereiro de 2025 após liberação pelo Tribunal de Contas, encerrando um período de um ano e sete meses de análise.
Com investimento de R$ 60 milhões, a primeira etapa da reforma priorizou a qualificação da pista. O asfalto foi completamente substituído por um modelo similar ao usado em Interlagos, com 20 centímetros de camada de gap graded, técnica que aumenta aderência, reduz deformações e garante durabilidade estimada de 20 anos.
O traçado original foi mantido, mas passou por adaptações que ampliaram sua versatilidade. Agora, os 5.384 metros podem assumir seis configurações, atendendo diferentes categorias de automobilismo e motociclismo. Foram criadas novas curvas, totalizando 16, além de uma chicane antes da reta final. A curva principal também ganhou inclinação de cinco graus.
A reforma envolveu ainda a reconstrução da drenagem, terraplanagem e paisagismo. Segundo o superintendente do BRB Autódromo, Fernando Distretti, tubulações quebradas foram encontradas sob o solo, obrigando a equipe a refazer toda a estrutura de drenagem. O nível da pista também foi ajustado, elevando o pavimento em 4 centímetros para eliminar solavancos.
A segunda fase da obra, prevista para 2026, inclui a entrega definitiva dos 40 boxes, o novo kartódromo — que será homologado — e o centro médico. A terceira etapa prevê a implantação do Racing Center, com lojas, áreas de eventos e o Museu do Automobilismo.
Com a reinauguração, Brasília volta ao mapa do automobilismo brasileiro e internacional, recuperando um equipamento histórico totalmente renovado.

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