Produção própria da Novacap prioriza espécies do Cerrado e reforça planejamento técnico nas regiões administrativas
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| Paulo H. Carvalho/Agência Brasília |
Novacap já plantou mais de 218 mil árvores desde 2019 em todas as regiões administrativas do DF, reforçando a característica histórica de Brasília como cidade-parque, com áreas verdes integradas ao espaço urbano. O volume consolida uma política contínua de arborização nas duas últimas gestões e conta com nova etapa contratada para expansão até 2027.
De acordo com o engenheiro florestal Matheus Marques Dy Lá Fuente Gonçalves, assessor do Departamento de Parques e Jardins (DPJ), o total mais recente supera 280 mil mudas produzidas no período, considerando plantios executados e contratos já encerrados. “O programa de arborização desde 2019 atingiu mais de 280 mil mudas. Agora fechamos novos contratos para execução em 2026 e 2027. A ideia é expandir. A gente saiu de 100 mil mudas e quer alcançar 200 mil neste próximo ciclo”, afirma.
A maior parte das mudas é produzida nos viveiros da própria Novacap. Cerca de 97% têm origem em sementes coletadas no DF e em expedições técnicas pelo Cerrado, em Goiás e Minas Gerais. Atualmente, o viveiro trabalha com mais de 130 espécies. “A gente tem uma diversidade muito grande aqui. Cada espécie tem sua peculiaridade, seu tempo, seu recipiente adequado”, explica o engenheiro.
Antes de serem levadas ao campo, as mudas permanecem entre oito meses e um ano em cultivo. Nesse período, passam pelo processo de rustificação, etapa que as prepara para enfrentar vento, variações de temperatura e estresse hídrico. “Elas ficam aqui amadurecendo, se adaptando. Quando vão para o campo, já estão aptas”, detalha.
Entre as espécies mais plantadas estão o ipê-branco, o jacarandá-mimoso e a pitangueira. A diretriz atual prioriza espécies nativas do bioma Cerrado ou adaptadas ao ambiente urbano. “O nosso norte hoje é priorizar espécies do Cerrado, mas entendendo que é arborização urbana. Não é recriar o campo natural no meio da quadra. A gente precisa se adaptar ao contexto da cidade”, ressalta.
Ao longo de mais de seis décadas, o planejamento arbóreo da capital passou por revisões técnicas. Espécies antes comuns deixaram de ser utilizadas após estudos e experiências de campo apontarem riscos ou impactos ambientais. A espatódia, por exemplo, saiu do planejamento devido ao impacto sobre abelhas, enquanto o guapuruvu deixou de ser adotado por apresentar risco estrutural elevado. “São aprendizados de décadas. Hoje a gente evita espécies que dão problema de manutenção ou têm impacto ambiental negativo”, afirma.
O modelo de plantio também evoluiu. Quadras que antes recebiam espécies homogêneas passaram a contar com maior diversidade, estratégia que reduz vulnerabilidades e custos de manejo.
A fase de plantio é apenas o início do ciclo. Nos dois primeiros anos, período considerado crítico para o pegamento das mudas, a taxa técnica de perda aceitável varia entre 10% e 30%, com meta ideal próxima de 15%. O principal desafio está no controle de formigas, especialmente em áreas onde o solo original do Cerrado foi alterado durante a urbanização. “Tem área que a gente perde mais de 50%. Em outras, não perde nada. Às vezes são dois quarteirões de distância. O nosso maior desafio hoje são as formigas”, relata o engenheiro.
Após essa etapa inicial, começa a fase de manutenção, que inclui podas programadas, controle fitossanitário e monitoramento estrutural. A arborização urbana exige acompanhamento contínuo e contratos específicos para garantir segurança e qualidade paisagística.
A população também pode participar do processo. Qualquer cidadão pode solicitar o plantio de árvores em ruas e praças por meio dos canais oficiais do GDF, como a ouvidoria ou a administração regional. Cada pedido passa por vistoria técnica antes de ser incluído no planejamento.
Segundo Matheus, a equipe avalia fatores como rede elétrica, calçadas, meio-fio, tubulações, espaço disponível e eventuais obras previstas na área. “Nem sempre é possível plantar uma árvore de grande porte. Às vezes é preciso usar espécie arbustiva ou adaptar o projeto”, explica.
O DPJ reforça que intervenções sem autorização em áreas públicas são proibidas. O corte irregular de árvores é considerado crime ambiental e pode gerar multa. A orientação é que moradores não realizem plantios por conta própria sem consulta prévia, para evitar conflitos com a infraestrutura urbana e prejuízos futuros.
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