Programa garante R$ 15 mil para famílias vulneráveis reformarem ou reconstruírem moradias e já beneficiou 249 pessoas no DF
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Antes feita de madeira, com telhas improvisadas e sem esquadrias, a residência da cozinheira Adriana Ribeiro, 34 anos, no bairro Santa Luzia, na Estrutural, hoje é de alvenaria, com cômodos separados, portas, janelas, caixa-d’água e telhado parafusado. A transformação foi possível após ela ser contemplada pelo Cartão Material de Construção, criado pelo GDF no ano passado, que concede R$ 15 mil para famílias em situação de vulnerabilidade social reformarem ou reconstruírem suas casas.
“Coloquei portas, terminei meu banheiro e coloquei uma pia e cerâmica lá. Também colocamos o portão, porque antes era tudo em madeirite. Estamos melhorando a cada dia”, relata Adriana, que vive com o esposo e a filha. A mudança na moradia coincidiu com a chegada de infraestrutura urbana na região. “Antes era só lama, buraco, muito ruim mesmo. Mas arrumaram a rua, colocaram os postes de energia e os hidrômetros de água. Eu tinha que ligar a bomba para ter água em casa, e hoje não tem isso. Posso levantar a qualquer hora para tomar banho, lavar roupa, beber água de qualidade. Estamos vendo progresso aqui na Santa Luzia.”
As intervenções fazem parte do projeto de saneamento integrado no bairro, autorizado pelo governador Ibaneis Rocha em novembro de 2025. O investimento supera R$ 92 milhões e contempla a implantação de redes de água e esgoto, galerias pluviais, bacias de detenção e outras melhorias que devem alcançar mais de 20 mil moradores. Também estão previstos 683 postes e 30 quilômetros de rede elétrica pela Neoenergia Brasília, com aporte de R$ 9 milhões. A Rua 64 já recebeu os serviços, e as obras seguem em andamento na comunidade.
O administrador regional da Estrutural, Alceu Prestes de Mattos, afirma que o Cartão Material de Construção e as obras de saneamento atuam de forma complementar na transformação de uma das áreas mais vulneráveis do DF. “A maioria das casas são barracos de madeira, papelão, muitas vezes sem teto. Com o cartão, possibilitamos estrutura para que possam ter mais dignidade, enquanto, com as obras, atendemos a uma demanda histórica da população”, destaca.
Gerido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab), o Cartão Material de Construção atende pessoas desalojadas ou desabrigadas em situações de emergência ou calamidade. Desde a criação, em maio de 2025, 249 cidadãos foram beneficiados — 197 do Residencial Tamanduá, no Recanto das Emas, e 52 da comunidade Santa Luzia. O total empenhado pelo programa chega a R$ 3.735.000.
O diretor-presidente da Codhab, Marcelo Fagundes, ressalta a relevância social da iniciativa. “Antes, pessoas que tinham suas casas perdidas por conta de eventos naturais, catástrofes ou realocações por conta de segurança ficavam largadas ao relento, sem expectativa alguma e sem ter para onde ir. Com o cartão, essa realidade mudou, eles têm um conforto e um recomeço. É política eficaz, efetiva e que muda a vida de quem está no desespero.”
Outra moradora beneficiada é a dona de casa Regiane Braga, 39 anos, que vive em Santa Luzia há mais de uma década com os cinco filhos. A família enfrentava problemas de infiltração e mofo, com riscos à saúde. Os materiais para a reforma já foram comprados, e a expectativa é resolver as pendências em breve.
“A casa estava com muito vazamento no telhado, com parede mofada e precisando de reboco. Também não tinha porta ainda e, quando chovia, gotejava tudo. Agora vou conseguir arrumar essas coisas”, afirma. A reforma também permitirá reorganizar os espaços. “Antes, eles ficavam todos juntos. Agora, os meninos vão ficar em um quarto e vou dividir a sala para fazer um quartinho para a minha menina. É mais qualidade de vida para a gente.”
Entre as situações atendidas pelo programa estão incêndios, eventos climáticos e geo-hidrológicos, chuvas intensas, alagamentos, inundações, enxurradas, vendavais, deslizamentos e realocações de áreas de risco. Todas as ocorrências precisam ser confirmadas pela Defesa Civil, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF).
Para ter direito ao benefício, além de se enquadrar nas situações emergenciais previstas, a família deve ter renda de até cinco salários mínimos e comprovar residência no DF nos últimos cinco anos. Após a aprovação, é entregue um cartão magnético emitido pelo Banco de Brasília (BRB), com o valor disponível para uso por até 90 dias
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