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UnB, com R$1 milhão da FAPDF, avança em dispositivo vestível para reduzir tremores do Parkinson

Projeto coordenado pela UnB usa metamateriais e piezoeletricidade; solução está em TRL 4 e busca etapas de validação para aplicação clínica


UnB, com R$1 milhão da FAPDF, avança em dispositivo vestível para reduzir tremores do Parkinson
Foto: Acervo do projeto

Com aporte de R$ 1 milhão da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAPDF), por meio da chamada BIO Learning do Programa FAPDF Learning (2023), a Universidade de Brasília (UnB) conduz pesquisa para desenvolver um dispositivo vestível capaz de reduzir tremores associados à doença de Parkinson. A iniciativa, coordenada pela professora Marcela Rodrigues Machado, do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Tecnologia da UnB, tem foco em transformar um avanço laboratorial em tecnologia com impacto direto na autonomia dos pacientes.

O equipamento baseia‑se em metamateriais inteligentes projetados para responder a vibrações em frequências específicas — justamente as que caracterizam os tremores de Parkinson. A configuração atua como um filtro que atenua a intensidade desses movimentos involuntários sem comprometer os deslocamentos voluntários do usuário, propondo alternativa às órteses tradicionais, que costumam ser mais rígidas e menos adaptáveis.

Além do controle passivo das vibrações, o sistema incorpora sensores que registram padrões de movimento dos pacientes, gerando dados que podem subsidiar decisões clínicas e o acompanhamento longitudinal da doença. O projeto também explora materiais piezoelétricos capazes de converter movimento em energia elétrica, o que permite que parte do próprio tremor seja aproveitada para alimentar os sistemas internos do dispositivo.

Os testes realizados em laboratório já apontam redução significativa das vibrações, inclusive em faixas de baixa frequência — uma dificuldade reconhecida na área. Atualmente a tecnologia encontra‑se no nível TRL 4 (validação em laboratório) e os pesquisadores projetam avanço para os níveis TRL 5 e 6, que envolvem testes mais avançados e aproximação da aplicação prática.

O projeto também prevê formação de recursos humanos, envolvendo alunos de graduação e pós‑graduação na concepção de protótipos e experimentos. Há pedidos de patente em tramitação, o que reforça o caráter inovador da iniciativa e sua potencial contribuição ao ecossistema científico e tecnológico local.

Segundo a coordenadora Marcela Rodrigues Machado, o objetivo é devolver autonomia e segurança às pessoas com Parkinson, permitindo que realizem atividades cotidianas com mais confiança. Ela ressalta que o apoio da FAPDF foi decisivo para deslocar a pesquisa do campo teórico para uma aplicação mais próxima da realidade, mediante investimentos em infraestrutura, equipamentos e na formação da equipe.

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