Lacen realiza exames confirmatórios na rede pública; Secretaria de Saúde alerta para risco de evolução crônica e complicações em grupos vulneráveis
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| Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DF |
A Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), por meio da Gerência de Vigilância das Doenças Transmissíveis (GVDT), intensificou a orientação à rede pública sobre diagnóstico e vigilância da chikungunya diante do período de chuvas no Centro-Oeste, que deve prosseguir até o início de maio. A ação tem caráter preventivo e busca reduzir o impacto assistencial e epidemiológico associado à proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Aline Factur, enfermeira da área técnica de arboviroses da GVDT, reforça que a chikungunya é doença de notificação compulsória e exige atenção da vigilância sanitária. Na rede da SES-DF, os exames laboratoriais confirmatórios são disponibilizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), que utiliza o mesmo kit empregado para a confirmação de dengue, integrando a investigação laboratorial às rotinas de notificação e manejo clínico.
Clinicamente, os casos costumam apresentar mal-estar, dor muscular, cefaleia e manchas avermelhadas no corpo; contudo, o sinal mais distintivo é a vermelhidão associada a dor articular intensa em joelhos, tornozelos, mãos, cotovelos e ombros. A infecção pelo vírus da chikungunya evolui em três fases: uma fase aguda de cinco a 14 dias com febre alta e dor articular intensa; uma fase intermediária de 15 a 90 dias em que a febre geralmente cessa, mas a dor persiste; e uma fase crônica, quando as dores articulares perduram por mais de 90 dias — fenômeno que, estima-se, afeta mais de 50% dos pacientes.
Do ponto de vista assistencial, a GVDT alerta para a possibilidade de manifestações sistêmicas em casos mais graves, incluindo acometimentos neurológicos como encefalite, mielite e síndrome de Guillain-Barré, além de complicações cardíacas, renais e respiratórias. Embora óbitos sejam raros, pacientes idosos, crianças e portadores de comorbidades têm maior risco de agravamento e podem demandar internação hospitalar.
A vigilância é especialmente desafiadora porque, nas fases iniciais, a chikungunya apresenta sinais semelhantes aos de outras arboviroses transmitidas pelo mesmo vetor — em particular dengue e zika — o que exige suspeição clínica e coordenação epidemiológica para diferenciação e registro dos casos. A SES-DF enfatiza a importância do diagnóstico oportuno para orientar condutas terapêuticas e medidas de seguimento dos pacientes.
Introduzido no DF em 2015, o vírus chikungunya tem registros contínuos de casos ao longo dos anos, com tendência de aumento que mobiliza a gestão em saúde para vigilância constante e ampliação das ações de controle vetorial e assistência. A recomendação institucional é que os serviços da rede pública mantenham prontidão para identificação, notificação e encaminhamento oportuno de casos, minimizando impactos sobre a qualidade de vida dos afetados.

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